Frango caipira ensopado

Uma saudável tradição

Frango caipira ensopado, para quem mora ou morou no campo, faz parte da rotina alimentar ou das gostosas lembranças afetivas.  Não é o meu caso, que cresci e vivi sempre em metrópoles e até megalópoles. Então como é que eu cheguei a pensar em fazer esta receita, você deve estar se perguntando?  Vamos lá, vou te contar.
Algum tempo atrás, acompanhando minha mãe na médica acupunturista, onde estávamos em busca de um tratamento alternativo para sua artrose, ela mencionou os malefícios que as carnes com hormônios teriam para o problema de inflamações nas articulações.  Praticamente fomos intimadas a trocar o frango de granja pelo caipira.

Por que o frango caipira seria melhor?

A principal diferença é que o chamado caipira é o frango lindo, leve e solto.  Bem…lindo nem tanto, mas é o que cresce à vontade, ciscando seu alimento no chão, não recebendo hormônios.  Demora mais para crescer e ser abatido, requer menos cuidados (ele é bruto, rústico e sistemático, como os cowboys…rsrsrs), sua carne é mais rija, portanto demora mais para cozinhar, mas é considerada mais saborosa (eu gosto muito!).
Já o frango “de granja”, ou criado em sistema confinado, é criado com o objetivo de ir para o abate, gordo, grande, no menor tempo possível.  Essa “magia” acontece ao fornecer-lhe hormônios, especialmente do crescimento.  Sua carne é mais macia, cozinha mais rápido, mas não é tão saborosa.

A escolha da receita de frango caipira ensopado

Assim, bastante convencida pelo ênfase com que a médica argumentou, logo depois comprei o bichinho e, num final de semana, resolvi prepará-lo da forma mais tradicional: à panela, com macarrão cabelo de anjo ao alho e óleo.  Poderia ter sido com polenta, eu sei.  Isso seria ainda mais tradicional e eu até tinha pensado fazer assim quando o comprei, mas acabei esquecendo na hora (será que os hormônios das carnes também danificam o cérebro??).
Ficou muuuuuito gostoso, gentem.  Sem tomate, somente com o molhinho escuro que vai se formando ao dourar a cebola e a própria carne, mesmo que o alerta da médica não tivesse fundamento (ainda não pesquisei), só pelo sabor, a troca seria válida.  Só achei um pouco caro, mas pelos benefícios, compensa.
Agora que os dias mais friozinhos chegaram aqui ao hemisfério sul, acho que é uma ótima ideia para reunir a família em um momento gostoso e acolhedor.

Classificação da Receita

  • (5 /5)
  • (1 Classificação)

Instruções

Corte o frango pelas juntas, retire as eventuais peninhas que tiver (pode arrancar ou queimar) e também a pele (eu sei que a turma do campo não tinha a pele, mas eu sou urbana e não curto muito essa gordura).
Descasque as cebolas e corte-as em quatro para formar pétalas.  Pique o alho e o pimentão.
Aqueça o óleo em uma panela e refogue a cebola até dourar.  Isto é bem importante para obter o resultado desejado.  Junte o alho e o pimentão e refogue mais um pouco.  Coloque o frango e deixe dourar.
Adicione sal e pimenta e um pouquinho de água.  Agora inicie o processo que é chamado de “pinga frita”, que consiste em ir adicionando pequenas quantidades de água, até voltar a fazer barulho de fritura, e isso sucessivamente até ficar pronto que, neste caso, leva pouco mais de uma hora.
Salpique o cheiro-verde na hora de servir e saboreie esta delícia do campo que pode também ser apreciada na cidade.

Sobre o Chef

Diana Marília

Texto sobre quem escreve

Você também vai gostar de: